HÉLIO SCHONMANN
HISTÓRICO
Meu envolvimento com a pintura deu-se muito cedo, aos nove anos, em um atelier
para crianças e adolescentes. Dessa época, tenho ainda fresca
na memória a sensação de depositar pela primeira vez a
tinta espessa (marca "WANDA") sobre a chapa lisa de "duratex".
Passei os anos seguintes realizando as mais diversas experiências com
pintura, cerâmica, escultura em pedra e madeira.
Aos dezesseis anos comecei a freqüentar o "Atelier de Livre Criação''
do Museu Lasar Segall, levado por Antonio Hélio Cabral. No ano seguinte
já estava freqüentando o atelier de Cabral, no bairro do Pari, bem
como a sessão de modelo vivo que se realizava semanalmente no atelier
de Antonio Carelli, no mesmo bairro. Ali convivi com Flávio Motta e Raphael
Galvez, num verdadeiro encontro de gerações, tão fortemente
motivador que, literalmente, "desandei" a pintar, abandonando em 1979
a Faculdade de Ciências Sociais da USP e montando atelier, próximo
aos amigos. Neste mesmo ano fui convidado a trabalhar como orientador do "Atelier
de Livre Criação" do Museu Lasar Segall, cargo que ocupei
por cerca de cinco anos. Iniciou-se também um contato profissional com
o marchand Antonio Maluf, que viria a resultar em minha primeira exposição
individual, na Galeria Seta, alguns anos mais tarde (1986).
SOBRE O MEU TRABALHO
Na década de oitenta procurei ampliar minha formação,
estudando modelagem com Galvez; nos anos noventa segui realizando exposições
de pintura e desenho, ao mesmo tempo que me iniciava na gravura em metal,
orientado por Evandro Carlos Jardim. Esta experimentação com
diferentes linguagens representou fonte de alimentação da maior
importância. A modelagem colocou-me diante da problemática tridimensional,
enquanto a gravura, com sua disciplina tão particular, estimulou em
meu trabalho a dimensão reflexiva. O resultado das transformações
que a partir daí se deram materializou-se numa instalação
realizada em 2001 na Capela do Morumbi, onde o que se propunha era um jogo
ao mesmo tempo espacial, plástico e conceitual. Esta mostra constitui-se
em marco de redefinição de meu fazer artístico.